Investimento em tecnologia e a produtividade na construção civil

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Estudos recentes divulgados pela Harvard Business Review demonstram que várias cidades dos Estados Unidos necessitam reparar ou modernizar as suas construções. Certamente essa também é a realidade brasileira e de outros tantos países ao redor do mundo.

Diante dessa necessidade, a realidade tem evidenciado a baixa produtividade da construção civil. Pelo menos no Estados Unidos, local em que ocorreu a pesquisa desenvolvida pela McKinsey Global Institute, essa indústria demonstrou o crescimento de apenas 1%, em termos de produtividade global de trabalho, nas duas últimas décadas. A produtividade da área no Estados Unidos hoje é menor que em 1968. O que vai na contramão das demais indústrias, como a agricultura, que cresceu de 10 a 15 vezes mais, desde a década de 1950.

Constata-se que o setor privado da construção civil investe realmente muito pouco em tecnologia. Nos dizeres dos pesquisadores:

“As empresas de construção também investem pouco na tecnologia, na automação e nas ferramentas digitais que permitiriam obter ganhos significativos de produtividade. Nos Estados Unidos, a construção ocupa o penúltimo lugar em termos de digitalização (…), segundo o índice de digitalização da MGI. O índice descobre que existem deficiências específicas na capacidade do setor de usar ferramentas digitais para facilitar as interações das partes interessadas e na taxa de crescimento das ferramentas digitais disponíveis para a força de trabalho da linha de frente.”**

Essa constatação é muito significativa, pois a tecnologia possui ligação direta com o aumento da produtividade da força de trabalho. A robótica, por exemplo, alterou a produtividade das fábricas de forma nunca vista. O mesmo poderia acontecer na construção civil.

“Elementos de construção altamente repetíveis, como a alvenaria e a pavimentação de concreto, já começaram a incorporá-la [a robótica[. Empresas na Austrália e nos Estados Unidos alcançaram um ganho de produtividade de alvenaria de mais de 100% através do uso de robôs de alvenaria.

Para os setores que trabalham com estruturas repetíveis, como habitação a preços acessíveis, a mudança para um sistema de produção em massa no qual as unidades e painéis pré-moldados seriam fabricados fora do local, racionalizar e simplificar o trabalho no próprio local, mudaria a dinâmica do setor. Tal abordagem reduziria a maioria das falhas de mercado que limitam a produtividade. Evidências sobre as economias de custo e tempo obtidas pelas empresas que usam o sistema de produção sugerem que a produtividade pode ser de 5 a 10 vezes maior.”***

Destaca-se que essas mudanças não são possíveis se partirem apenas do setor privado, é essencial a participação de múltiplos atores envolvidos na área. Ou seja, tanto empresários do setor privado quanto atores do setor público de todos os níveis (federal, estadual e municipal) precisar agir em prol dessas mudanças.

Assim, são necessárias articulações entre os atores dos setores privado e público para melhor conjugar os interesses da construção civil a curto, longo e médio prazo, de modo que os investimentos e melhorias não sejam em vão e que essas medidas revertam, efetivamente, em benefício para toda a sociedade. Não apenas as pessoas diretamente ligadas à indústria, como empresários e trabalhadores, mas também aqueles(as) indiretamente relacionados, como todos(as) os(as) cidadãos(ãs), que contarão com melhores serviços privados e espaços públicos, cidades, estados e país, melhores estruturados.

Apesar da triste realidade, de acordo com pesquisadores do McKinsey Global Institute, o potencial de crescimento da produtividade global de trabalho da indústria da construção civil é de 50% a 60%. Para alcançar esse potencial, seria necessárias melhores práticas e inovações em 7 áreas.

São elas: “regulamentações; relações contratuais; processos de design e engenharia; compras e gestão da cadeia de suprimentos; execução no local; tecnologia digital, novos materiais e automação avançada; e desenvolvimento da força de trabalho.”*

 

*Tradução livre de: “[… regulations; contractual relationships; design and engineering processes; procurement and supply chain management; on-site execution; digital technology, new materials, and advanced automation; and workforce development.”

**Tradução livre de: “Construction companies also sorely underinvest in the technology, automation, and digital tools that would allow them to achieve significant productivity gains. In the United States, construction comes in second to last in terms of digitization, ahead of only agriculture, according to MGI’s digitization index. The index finds there are particular deficiencies in the sector’s ability to use digital tools to facilitate stakeholder interactions and in the rate of growth in digital tools available to the frontline labor force.”

***Tradução livre de: “Highly repeatable elements of construction, such as bricklaying and concrete paving, have already started to incorporate it. Companies in Australia and the United States have achieved a masonry productivity gain of more than 100% through the use of bricklaying robots.

For some in the industry with repeatable structures, such as affordable housing, the shift to a system of mass production in which precast units and panels would be manufactured off-site, streamlining and simplifying work on the site itself, would change the dynamics of the industry. Such an approach would negate the majority of market failures that constrain the industry’s productivity. Evidence on the cost and time savings achieved by companies using the production system suggests that productivity could be five to 10 times higher.”

FONTES:

BARBOSA, Filipe; et. al. Reinventing construction through a productivity Revolution. Disponível em: <https://www.mckinsey.com/industries/capital-projects-and-infrastructure/our-insights/reinventing-construction-through-a-productivity-revolution>. Acesso em: set. 2018.

MANYIKA, James; et. al. Digital America: A tale of the haves and have-mores. Disponível em: <https://www.mckinsey.com/industries/high-tech/our-insights/digital-america-a-tale-of-the-haves-and-have-mores>. Acesso em: sete. 2018.

By James Manyika, Sree Ramaswamy, Somesh Khanna, Hugo Sarrazin, Gary Pinkus, Guru Sethupathy, and Andrew Yaffe

WOETZEL, Jonathan. How to Make Every Dollar of Infrastructure Investment Go Further. Disponível em: <https://hbr.org/2017/03/how-to-make-every-dollar-of-infrastructure-investment-go-further?referral=03758&cm_vc=rr_item_page.top_right>. Acesso em: set. 2018.

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